“Dez
mil garagens de onde saem novas ideias, dez mil
empresas inovadoras, dez mil empreendedores”. Só uma
revolução “verde” liderada pelos Estados Unidos pode
salvar o futuro desse país e do mundo inteiro, fazer com a economia
renasça e dar novo alento e riqueza à classe média. Thomas
Friedman, três vezes vencedor do prêmio class=SpellE>Pulitzer, colunista do New York Times e autor de
best-sellers da ensaística contemporânea
(”De Beirute a Jerusalém”, “O lexus
e a oliveira”, “O mundo é plano”) está
convencido disso, tendo dedicado a esse tema o seu último trabalho:
“Hot, Flat and Crowded”,
publicado nos EUA em outubro e a partir de amanhã nas livraria da
Itália, com o mesmo título: “Quente, plano e cheio”.
O
jornal
Repubblica
entrevistou no seu escritório
tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis
a entrevista.
* Por
que quente, plano e cheio?
O
título original deveria ter sido “O verde é o novo
vermelho, branco e azul” [as cores da bandeira norte-americana], mas
quanto mais trabalhava, mais me documentava e mais me dava conta de que
não estava certo: porque o Japão já é mais verde do
que nós, a Alemanha e a Dinamarca também. Hoje, o mundo é
“plano” porque a revolução tecnológica nivelou
a economia e as consciências globais. Está “cheio” por
causa do crescimento demográfico e dos bilhões de pessoas que
querem viver como os norte-americanos. Está “quente” por
causa do aquecimento global. É um mundo com cinco problemas chaves.
*
Quais são?
A
crescente demanda por energia e recursos naturais, sempre mais escassos; a
maciça transferência de riquezas aos produtores de petróleo
e aos seus “petroditadores”; as
mudanças climáticas; a penúria energética, que
divide o mundo entre que tem abundância de eletricidade e quem tem pouca;
a rápida perda de biodiversidade, com a extinção de
plantas e animais. Esses problemas e o modo como os
enfrentaremos determinarão o nosso futuro.
* E
quanto à queda da Wall Street
e à crise econômica?
Eu
terminei este livro em julho passado, e o primeiro capítulo, de alguma
forma, antecipava o que ocorreu
coisas. Na próxima edição haverá um novo
capítulo. Mas o conceito de fundo permanece o mesmo ainda agora:
é necessária uma nova revolução industrial,
à qual chamamos de ET (Energy class=SpellE>Technology) ou, se preferirmos, Geo-Greenism,
revolução verde. E deverão ser os Estados Unidos quem a
liderará.
*
De que modo?
Devemos
nos dotar de novos instrumentos, de novas infraestruturas,
de novos modos de pensar e de colaborar com os outros, todas as coisas que
são o pressuposto para grandes ações e para descobertas
científicas e o propelente capaz de impulsionar uma nação.
*
Qual a sua receita?
Digo-a
com um slogan: um ecossistema inovador, dez mil empresas, dez mil
empreendedores, dez mil garagens de onde saem novas ideias.
*
Como isso se concilia com os EUA em recessão?
Tanto
o Mercado quanto a Mãe Natureza estão passando por dificuldades e
nos dizem que o crescimento só é possível por meio de
meios sustentáveis.
Dow Jones
números em vermelhos, mas a Mãe Natureza não tem um class=SpellE>Dow seu, não explica por
meio de números qual é o seu estado. Mas se estudarmos a
ciência climática é impressionante ver como as
mudanças do clima estão ocorrendo mais velozmente do que os
cientistas previam. Não há um Dow, mas
sim critérios com os quais se pode avaliar o
seu estado de saúde.
*
Quais?
Os
cinco pontos dos quais falava antes. Estamos queimando, poluindo, fumando e
comendo este planeta. Acrescentamos um bilhão de pessoas a mais a cada
13 anos: se precisarem só de uma lâmpada
de 60 watts durante quatro horas por dia, teremos que construir 20 novas
centrais térmicas de carvão de 500 megawatts.
* O
que muda com a crise atual?
O
desastre dos subprimes mútuos é uma
metáfora do que ocorreu nos EUA nos últimos anos, isto é,
a ruptura da cadeia que une compromisso, resultados e responsabilidade.
Pensamos em obter o “sonho americano” – o primeiro dos quais
é a casa própria – a custo zero, e vimos os resultados. O
país fez a mesma coisa, estimulamos um
mútuo sobre o nosso futuro em vez de investir nele.
*
Então, como os EUA podem liderar essa nova revolução?
Com
uma mudança radical. Passando dos problemas do terrorismo global da era
Bush aos do aquecimento global. Com a administração class=SpellE>Obama, teremos fortes gastos com infraestrutura,
com transportes, com a energia solar e eólica.
* A
ameaça terrorista não existe mais?
Não
estou dizendo isso. O terrorismo global não era uma
invenção e ainda é uma ameaça real. Mas a
verdadeira razão pela qual Obama é
presidente é que os EUA querem uma “nation-building”
aqui, na nossa casa. Para mim, esse “nation-building”
é o verde, como o vermelho era a cor dos anos 50.
*
Em que sentido?
O
anticomunismo impulsionou os EUA a desenvolver a defesa, a estrutura
industrial, as autoestradas, mas também as
instituições educacionais e uma pesquisa científica de
altíssimo nível capaz de lançar o homem no espaço e
entusiasmar as novas gerações. Hoje, o “código
vermelho” de Bush, a guerra contra o terrorismo, não é
suficiente. Precisamos de um grande projeto, de um “código
verde”. Há um mercado que criou títulos tóxicos, e
uma política climática que criou rejeitos tóxicos. Duas
faces do mesmo problema.
*
Como o senhor responde às críticas de países como a China
e a Índia sobre temas ambientais?
De
um ponto de vista moral, eles têm razão perfeitamente. Nós
comemos o antepasto, o primeiro e o segundo pratos e a sobremesa. A
Índia e a China chegaram na hora do cafezinho, e nós vamos pedir
a elas que dividam a conta inteira? Obviamente não é justo.
Respondo assim: vocês têm razão, sigam adiante com o uso da
energia suja, é um direito de vocês. Porque estou certo de que os
EUA precisam de apenas cinco anos para implementar a
energia limpa e, em cinco anos, seremos capazes de vendê-la também
a vocês.
* E
quanto ao plano energético de Obama?
Sou
crítico. Obama está totalmente certo,
exceto por duas coisas: faz a política errada com os políticos
errados. Eu acredito na taxa de carbono. Ele sabe que no Senado nunca a
aprovará. Se a Casa Branca me pede conselhos? Não. Encontrei class=SpellE>Obama uma vez. Sei que leu os meus livros e acompanha as
minhas colunas no New York Times. Eu sou a favor de “green
the bailout”, usar o
dinheiro público para a inovação e a
renovação.
*
As ajudas ao setor automobilístico vão nessa
direção?
Certamente,
não sou um fã dos administradores que guiam a General class=SpellE>Motors ou a Chrysler. Penso que
tiveram grandes responsabilidades e que devem ser substituídos. Estou de
acordo com Obama que essa deve ser a
condição, porque recebiam ajudas do governo. A indústria
automobilística deve encontrar o modo de sobreviver. Não nos
esqueçamos que estamos falando do trabalho e da vida de muitas pessoas.
Sobreviver renovando-se completamente. Essa é a chave.
(href="http://www.ecodebate.com.br/2009/04/09/uma-revolucao-a-salvacao-para-o-planeta-esta-no-meio-ambiente/">class=SpellE>Ecodebate, 09/04/2009) publicado pelo href="http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=21218">IHU
On-line, 07/04/2009 [IHU On-line é publicado pelo Instituto
Humanitas Unisinos - IHU,
da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos,
Leopoldo