Nos últimos dias demarço um avião sobrevoou o sul do Amazonas acompanhando, lá embaixo, um risco de terra rodeado de floresta por todos os lados.
Supõe-se que o governador Eduardo Braga (PMDB-AM) e o ministro dosTransportes Alfredo Nascimento (PR-AM) tenham espiado pela janelinha como a natureza comeu a BR-319, construída pelo governo militar na década de 70 e por onde o último ônibus de linha passou há mais de vinte anos.
A pavimentação da rodovia, uma obraque está no PAC, foi orçada em R$ 600 milhões e éconsiderada uma temeridade por ambientalistas e cientistas, tem potencial paraser a nova dor de cabeça ambiental do governo Lula. A estrada, no caso,parece ser menos uma via de transporte que um forte instrumentopolítico.
Queo Departamento Nacional de Infraestrutura deTransportes quer o asfalto no meio da floresta, ninguém duvida. Oprocesso, brecado em setembro pelo ministro do Meio Ambiente Carlos
Um
Oministro Nascimento não faz segredo que viabilizar a Porto
Sabe perfeitamente que a população da cidade sofre de isolamentocrônico e quer a estrada para se sentir ligada ao Brasil.Obstruí-la pode ser suicídio político. O desejo
Antesda crise financeira, Manaus vinha crescendo a ritmo chinês, o PIBé alto, a qualidade de vida, interessante, acriminalidade, baixa. Roubo de automóveis praticamente não tematé porque não dá pra escoar o furto. Tornar a cidadeacessível no pós-boom das usinas do Madeira sugereinevitável inchaço e consequentepressão por saúde, educação,habitação e emprego que não se sabe se o poderpúblico terá condições de suprir. Isto sem citar oefeito da ocupação às margens da estrada.
O cientista
Os opositores à estrada dizem que, de garantia, só apavimentação da candidatura Nascimento ao governo do Estado.Braga, o governador que gosta de ser reconhecido como o “Schwarzeneggerda Amazônia” por ter feito uma gestão bastante“verde” no Estado mais preservado da região, já oscilou bem neste episódio. No início chegou a discutir com oBNDES a viabilidade de uma ferrovia, com impacto ambiental indiscutivelmentemenor.
Mas na eleição à prefeitura de Manaus, em 2008,aliou-se a Nascimento. A estrada veio de brinde e o projeto da ferrovia foiesquecido. Braga, que almeja um lugar no Senado, fez obolsa-floresta e criou muitas unidades de conservação, masvive o contrasenso de apoiar um projeto com potencialdestruidor de floresta e muita emissão de gases-estufa em tempos decrise climática.
Apavimentação da 319 épolêmica de nascimento. Já quiseram jogar asfalto sem precisar delicenciamento alegando que a estrada já existia, então, praquê EIA-Rima? O simples anúncio dapavimentação de uma estrada na Amazônia é senha paraespeculação e desmate - vide o exemplo da BR-

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