quarta-feira, 29 de abril de 2009

O Bacurizeiro




São
Raimundo e Bom Princípio, Baixo Parnaíba Maranhense



Uma espécie frutífera como o bacurizeiro, espécie
da Amazônia, do Cerrado e das suas transições, ganha de goleada de uma espécie
como o eucalipto em importância ecológica, ambiental, alimentar, social,
econômica e histórica. A verdade é tão pura e simples que alguém um dia
perguntou como havia gente com coragem para substituir uma espécie pela outra.



Praticamente, o bacurizeiro pode ser encontrado em
quase todo o Maranhão, em partes do Piauí, do Tocantins e do Pará – em trechos
mais adensados que outros - e esse fato poderia acanhar
os setores do agro-extrativismo e sensíveis ao agro-extrativismo porque pouco
ou quase nada se pesquisou sobre esse espécie e os ambientes em que ela se
engraça com outras espécies florestais, com espécies de aves, as quais são responsáveis
por sua polinização (o maracanã e a pipira), e com
espécies de mamíferos.



A importância do bacurizeiro para o ambiente, para
a ecologia e para a economia se confere na região do Baixo
Parnaíba
maranhense, onde ele se agarra a cada fração de terreno nas
Chapadas de Urbano Santos, Chapadinha, Anapurus, Mata
Roma, Buriti de Inácia Vaz, Brejo, Milagres do
Maranhão, Santa Quitéria, São Bernardo e Santana do Maranhão.



Comunidade agroextrativista
de Bom Sossego, onde moram 27 familias – município de
Urbano Santos – o senhor Itevaldo, em tempos idos
recentes, roçou menos de um hectare de sua parte da herança da família – um
total de cem hectares; quando menos se espera – um emaranhado de bacurizeiros
irrompe do chão. Aniversariaram cinco anos e levará mais uns cinco a dez para
seus galhos se calejarem de frutos.

O município de Urbano Santos, no seminário “Bacuri: Do alto das Chapadas ao comércio nas cidades”, entre os dias 28 e 29 de agosto de 2008”,
realizado no município de Chapadinha, fora citado como
um dos municípios do Baixo Parnaíba onde os bacurizeiros debandaram por todas as
Chapadas. O Fórum Carajás assunta, em projeto articulado junto com a Sociedade
Maranhense de Direitos Humanos, Centro de Cultura Negra e Fórum em Defesa do
Baixo Parnaíba e financiado pela organização holandesa ICCO, em quase todo o
Baixo Parnaíba maranhense quais são ou quais foram áreas onde os bacurizeiros
se excediam e águas da chuva eram carreadas e prontamente encharcavam o lençol freático e relativizam o clima úmido seco daquelas
paragens.

Os setores do agronegócio
da soja e do eucalipto, abrigados no Estado brasileiro, força a legislação
ambiental e as suas principais vitimas são os agroextrativistas que vêem o despacho de seus bacurizeiros e pequizeiros para os fornos de carvoaria, para serrarias ou para as cerâmicas.
Quando há uma crise econômica esses setores posam de vítimas, requerendo mais recursos, mas em tempos normais eles posam de caridosos permitindo que os agroextrativistas colham as árvores derrubadas ou os frutos para a venda na beira da estrada. O dano que isso ocasiona na organização e no
discurso das comunidades agroextrativistas é
irreparável na maioria dos casos.

Suspender essa venda da face dos trabalhadores rurais é um trabalho para décadas e justamente uma das etapas é conscientizar as comunidades agroextrativistas que

resistem a permanecerem na resistência como é o caso das comunidades de São Raimundo e do Bom Principio, município de Urbano Santos. Curioso que as designações das comunidades agroextrativistas abranjam dois nomes.
Uma ou outra preferem nomes ou apelidos que costurem cenas locais como Marçal dos Onça e o restante se inspira nas tramas da religião.
Este é o caso de São Raimundo e Bom Principio, onde as famílias dos dois
povoados e de outros lugares festejam a maior produção de bacuris do município.

Viajou-se duas vezes para os dois povoados e de
cada viagem fica o rescaldo para completar a próxima. A subida à Chapada e o
zanzar em torno dos bacurizeiros arremeda as brincadeiras de criança na porta de casa. Nesse mundo, quem vem de fora se perde por desconhecer onde pôr os
pés.

Mayron Régis,
jornalista Fórum Carajás

Esse texto faz parte do programa Territórios
Livres do Baixo Parnaíba, apoiado pela ICCO e realizado de forma conjunta com a
SMDH, CCN e Fórum em Defesa do Baixo Parnaíba


NOTA: Bacuri, fruto do bacurizeiro (Platonia
insignis ant. Platonia esculenta).


http://inteligente.palmerio.adm.br , considera oportuna a matéria sobre o Bacurizeiro,
mas, a região da Chapada das Mangabeiras no Alto Parnaíba, careciam uma melhor
atenção, pelos pesquisadoras, sendo ela arvore nativa
de baixo valor comercial, pelo simples motivo, do não investimento em pesquisa
na Região das Balsas e mais precisamente de São Raimundo das Mangabeiras, que
inclusive foi suplantada pelo cultivo extensivo da soja.


domingo, 26 de abril de 2009

Governo do Pará quer aumentar prazo para recuperação de desmate


JOÃO CARLOS MAGALHÃES

da Agência Folha, em Belém



Sob a justificativa de tentar fortalecer a regularização fundiária no Pará, o governo do Estado quer alterar uma lei
estadual e aumentar de nove para 30 anos o prazo para que fazendeiros paraenses recuperem as áreas desmatadas ilegalmente de suas propriedades.

Ontem, o secretário do Meio Ambiente, Valmir Ortega, entregou o projeto com as mudanças ao presidente da Assembleia Legislativa, Domingos Juvenil (PMDB). Como a governadora Ana Júlia Carepa (PT) tem maioria na Casa, a medida deve ser aprovada.

A atual legislação paraense é de 2002, e é mais
rígida do que o Código Florestal Brasileiro, que já estabelece o prazo de 30
anos. Nesse período, o proprietário deverá reflorestar a área desmatada em sua fazenda até chegar a 80% de floresta --percentual previsto em lei e chamado de
reserva legal.

Para Ortega, a medida diminuirá o receio dos
fazendeiros em se inscrever no CAR (Cadastro Ambiental Rural), que lista os donos e os limites exatos das terras, o que permite aferir quanto já foi degradado ou sofreu corte raso. Segundo estimativa do governo, há de 5 mi a 7 mi de
hectares que devem ser recuperados no Pará.

Hoje, disse o secretário, apenas 500 das 250 mil
propriedades do Pará foram cadastradas. Isso apesar de uma resolução do Banco
Central, do ano passado, que obriga o proprietário a estar no CAR para conseguir acesso a crédito. O cadastro é considerado um instrumento essencial para a regularização fundiária da Amazônia.

Adalberto Veríssimo, da ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que apoia a mudança na lei, vê a ideia do governo com "otimismo cauteloso".

Para ele, mais importante do que a definição do tempo de recuperação, é que a reserva legal no Estado seja mantida em 80%. O Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) cogita diminuir esse percentual para 50% no oeste paraense.

http://www.controleambiental.com.br/codigo_florestal.htm http://www.mma.gov.br/conama/

http://pa.gov.br

http://www.alepa.pa.gov.br

http://inteligente.palmerio.adm.br