Fonte:
Portal ORM- DA
BELÉM-O MST não pretendia causar
esse confronto. Fomos para a fazenda tentar dialogar a liberação de nossos
companheiros, mas fomos logo recebidos a bala!'. Assim
resumiu Ulisses Manaças, líder do Movimento dos Sem
Terra no Pará, em entrevista concedida na tarde desta segunda-feira (20).
Ulisses contou a versão do movimento sobre o conflito ocorrido entre
trabalhadores rurais e seguranças da fazenda.
Ele afirma que os sem terra não tinham intenção de
iniciar um conflito, mas sim, de dialogar a libertação dos companheiros,
detidos no último sábado (18), pelo serviço de segurança da fazenda.
O início do confronto:
O líder do MST conta que, no sábado pela manhã, 20
trabalhadores sem terra entraram na mata para recolher lenha e palha, que seria
usada para cobrir os barracos do acampamento danificados pelas chuvas. Passado
algum tempo, um empregado da fazenda, que estava em um caminhão, teria
oferecido 'carona' e ajuda aos trabalhadores para levar o material recolhido.
Ulisses conta que, assim que entraram no veículo
os sem terra ouviram o motorista ligar para avisar aos seguranças da fazenda
que estava com os trabalhadores no carro. Logo depois, homens armados chegaram
ao local e ameaçaram os sem terra.
Segundo Manaças, três
sem terras foram gravemente feridos e permaneceram em poder dos seguranças na
guarita da fazenda. Os outros voltaram ao acampamento para avisar aos demais. O
grupo então organizou uma marcha em direção ao retiro São José, onde estavam presos Valdecir N. C., mais conhecido como Índio,
José L. da L e Jerônimo R.
Valdecir ficou ferido durante o conflito. Ele está
com uma bala alojada no corpo e corre risco de morte. Ulisses disse, ainda, que
a Polícia Militar foi avisada sobre o caso, mas só teria chegado ao local no
dia seguinte, domingo (19).
Na coletiva, estiveram presentes representantes de
diversas entidades de defesa dos direitos humanos, que se manifestaram sobre o
que ocorreu durante o conflito. Janete Silva, da Comissão Pastoral da Terra
(CPT) informou que a ação do MST foi apenas de resgate. 'Eles foram para
resgatar seus companheiros, não havia intenção de gerar um conflito'.
Ela disse que essa situação já estava propícia a
acontecer. 'A fazenda está ocupada desde fevereiro deste ano, quando foi
descoberto que a terra, que antes pertencia a família Mutran, voltou a ser da União e vendida ilegalmente ao
banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity'.
O pedido do Movimento dos Sem Terra é que as
entidades de direitos humanos do Pará ajudem a investigar a existência de
'milícias armadas' que, supostamente, agem para matar as lideranças do MST,
além de investigarem a legalidade das terras da fazenda.
Marco Polo, advogado e
presidente da SDDH (Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos), disse
na coletiva que acredita na versão do MST e que ajudará nas investigações.
'Vamos acompanhar o inquérito policial e rever a situação da terra. Essa
fazenda deve ser área de reforma agrária. O Estado e a União precisam intervir
e usar essa propriedade como área de reforma agrária. Esse é o único jeito de
acabar com os conflitos de terra no Pará'.
Jornalistas - O MST
informou que não fez reféns e que os quatro jornalistas que estavam na
marcha com eles, não foram feitos de 'escudo humano'.
A versão do movimento é negada pelo cinegrafista da TV Liberal, Felipe Almeida.
Ele confirmou que todos os profissionais da imprensa que estavam no local foram
ordenados a 'ir na frente'. Segundo Felipe, frases
como 'Desliga a câmera' e 'Todo mundo para frente' foram ditas aos jornalistas
no momento da caminhada, além de um 'te vira' quando Felipe comentou que os
seguranças iriam atirar.
Outro lado - O
gerente da propriedade, Oscar Boller, também nega a
versão do MST. Segundo ele, quem iniciou o conflito foi o movimento dos sem
terra. 'Tudo começou quando um caminhão da fazenda, que transportava material
de construção, entrou na propriedade pela porteira da frente', conta Boller.
Segundo ele, o motorista do
caminhão tinha orientações para não entrar pela porteira, já que a área estava
bloqueada por integrantes do MST. Para entrar na fazenda, o caminhão teria que
fazer um caminho muito mais longo. 'Mais como ele viu que a porta estava aberta
e não tinha ninguém, desviou e entrou pela frente mesmo', afirmou o gerente.
'Mas isso era uma cilada. Os sem terra estavam esperando ele entrar. Em
seguida, quatro deles invadiram o caminhão e ameaçaram o motorista com armas e
facões', contou.
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