quinta-feira, 2 de abril de 2009

Greenpeace: manifestação que polui e estressa

João Paulo Aquino, Jornal do Brasil
RIO - A faixa do Greenpeace se direcionava aos líderes mundiais do G-20 e era equivalente a um prédio de 10 andares, tinha a largura de uma piscina olímpica e se esticava sob a Ponte Rio–Niterói. Porém, nas pistas, motoristas e passageiros se estressavam e aumentavam ainda mais a emissão de gás carbônico, principal responsável pelo aquecimento global.
A fim de exibir a frase em inglês “Líderes mundiais: clima e pessoas primeiro”, na tentativa de incluir a questões ambientais na pauta da reunião, centralizada na crise financeira mundial, os manifestantes geraram um caos fluminense: o percurso do acesso até o fim da travessia, que dura, em média, 20 minutos, era feito em uma hora e dez minutos, sentido Rio, e gerava ainda mais prejuízos ao meio ambiente. O congestionamento durou das 7h30 às 11h.
De acordo com cálculos da consultoria Iniciativa Verde, empresa especializada em meio ambiente que mede a produção de CO2 e como compensá-la, o lançamento de gás carbônico motivado pelo congestionamento aumentou na ordem de 20 toneladas. Para anular o prejuízo ambiental, seria necessário o plantio de pelo menos 100 árvores. Para o engenheiro especialista em transportes Fernando Mac Dowell, a emissão de gás carbônico aumenta cinco vezes devido a fluxo intermitente dos veículos.
A pesquisadora da UFRJ Paulina Porto, que trabalha no gerenciamento da qualidade do ar no Instituto Estadual do Ambiente (Inea), concorda:
– O anda-e-para do trânsito faz lançar muito mais combustível, toneladas de poluentes no ar, causando um aumento absurdo de emissão. É um contrassenso sem tamanho.
'Avião é pior'
Paulo Adário, coordenador da Campanha do Greenpeace na Amazonia e mentor da ação na ponte, se defende:
– Em dezembro, vai haver uma reunião na Dinamarca para discutir o aquecimento global. Mais de 10 mil líderes de países vão até lá de avião. A emissão de um avião é muito superior à de um carro e ninguém fala nada.
Adário lembra que a luta da instituição é para acabar com o desmatamento da Amazônia, responsável por 70% da emissão de CO2. O Brasil ocupa o quarto lugar entre os países que mais emitem.
A manifestação do Greenpeace começou às 7h, horário de rush, no vão central da Ponte Rio–Niterói, mas as consequências se estenderam até as 11h. Para esticar a faixa gigante, 15 rapelistas desceram a ponte e, para dar suporte e segurança, seis pessoas interditaram a faixa da direita na pista sentido Rio. Os reflexos do congestionamento atingiram a Avenida Quintino Bocaiúva, em São Francisco, Niterói. Outro ponto de congestionamento foi a Alameda São Boaventura, no Fonseca. Quem saía de São Gonçalo precisou ter paciência na Niterói–Manilha. A retenção seguia do Gradim, em São Gonçalo, até a Avenida do Contorno, no Barreto, Niterói.
Entre os ativistas que estavam na ponte e em barcos, o número chegava a 40, todos envolvidos de alguma forma com a manifestação. As 21 pessoas que estavam na ponte foram detidas e levadas para a Polícia Federal em Niterói, mas liberadas por não ter ficha criminal.
22:25 - 01/04/2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Limite maior para consignado de aposentado

Limite maior para consignado de aposentado deve valer a partir de quinta
Aposentado poderá comprometer até 30% da renda com empréstimo direto.
Antes, limite era de 20% para empréstimos e 10% via cartão de crédito.
Alexandro Martello Do G1, em Brasília
O novo limite para empréstimos de instituições financeiras aos aposentados no crédito com desconto em folha de pagamento, também conhecido como "consignado", deve entrar em vigor nesta quinta-feira (2), quando está prevista para ser publicada a instrução normativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que trata do assunto, segundo informações do Ministério da Previdência.

A Resolução número 1.305, assinada pelo ministro da Previdência Social, José Pimentel, e que determina a alteração das normas do crédito consignado, foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (1º). Entretanto, para entrar em vigor, ainda tem de ser publicada a instrução normativa do INSS.
Limite maior
A mudança no limite de 20% para 30% da renda que os aposentados e pensionistas poderão comprometer com empréstimos diretos com desconto em folha de pagamento foi aprovada em 10 de março pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), fórum que reúne governo, aposentados, empresários, bancos e sindicalistas, entre outros.

Atualmente, há cerca de 22 milhões de aposentados e pensionistas no Brasil, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Ou seja, as pessoas que poderiam contratar essa modalidade de empréstimo.

Em crédito consignado, o Ministério informou que havia, em novembro de 2008, cerca de 14,98 milhões de operações ativas de aposentados e pensionistas, correspondentes aos contratos de 9,36 milhões de pessoas.
Como era e como ficou
Pela regra de crédito anterior, até 20% do limite de renda de cada aposentado e pensionista poderia ser comprometido com empréstimo direto, enquanto outros 10% poderiam ser feitos somente via cartão de crédito.

Esse sistema foi instituído em maio de 2008. "Naquele momento, em maio de 2008, se pensava que essa modalidade de crédito estava aquecendo demais o consumo (...) Agora o contexto é diferente. A conjuntura é de preservar o consumo para que a economia se sustente", explicou o secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, em março, quando a medida foi aprovada pelo CNPS.
Taxa de juros
A mudança permite que, na prática, os aposentados e pensionistas possam usufruir de juros mais baixos no crédito consignado para a parcela que antes estava no cartão de crédito. Isso porque os juros do cartão, de até 3,5% ao mês, são mais elevados do que a modalidade de empréstimo direto. Neste caso, a taxa é de até 2,5% ao mês. O prazo máximo do empréstimo é de até 60 meses.
Cartão de crédito
Mesmo após a mudança, caso desejem, os aposentados e pensionistas poderão continuar utilizando o sistema anterior e dividindo o limite de crédito valores entre empréstimos diretos (até 20%) e via cartão de crédito (os 10% restantes).

Segundo o Ministério da Previdência, os aposentados que já utilizam o cartão, e quiserem aumentar a margem para a do empréstimo direto (a até 30%), deverão necessariamente encerrar seus contratos comerciais de uso do cartão, solicitando seu cancelamento formalmente junto às instituições financeiras.

De acordo com o INSS, a instituição financeira é obrigada, pela nova instrução normativa, que será publicada, a disponibilizar, em até cinco dias úteis - e não mais em 48 horas -, o boleto para pagamento ao beneficiário que solicitar a quitação antecipada do seu contrato.

Essa decisão, segundo o Ministério da Previdência, se adequa às normas de atendimento ao consumidor, definidas no Decreto número 6.523/2008. No boleto, devem constar o valor total antecipado, o valor do desconto e o valor líquido a pagar, além da planilha demonstrativa do cálculo do saldo devedor.

As novas regras também estabelecem o prazo de cinco dias úteis, após a confirmação da liquidação, para que as instituições financeiras enviem a informação de exclusão da operação - do empréstimo pessoal ou do cartão de crédito liquidado antecipadamente.
Números do crédito consignado
Dados do Banco Central mostram que, em janeiro de 2009, R$ 79,48 bilhões estavam emprestados por meio do crédito com desconto em folha de pagamento no país. Isso representou, em janeiro, 54,7% de todos os R$ 145,22 bilhões emprestados via crédito pessoal no Brasil.

Em doze meses até janeiro deste ano, o crédito consignado avançou 20,7%. Dos R$ 79,48 bilhões emprestados em janeiro, R$ 68,68 bilhões estavam nas mãos de funcionários públicos e R$ 10,79 bilhões de empregados do setor privado.